Você ignora a “gentinha”?
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Decidi permitir a mim mesma usar o mesmo termo que utiliza Tom Peters, “gentinha”, porque acho que é fácil entender de que e de quem estamos falando. Deixando claro, caso alguém ainda fique na dúvida, não o uso no sentido pejorativo e sim para enfocar o tema de forma que todos possamos entendê-lo.
No entanto, vamos também dar alguns exemplos de “gentinha”: em uma empresa, um chefe poderia considerar “gentinha” quaisquer pessoas que estão tão abaixo de seu cargo, que pensa que elas não lhe atingem em absoluto. Isso pode ir da faxineira ao limpador de vidros, passando por um teleoperador ou pelo último empregado que começou a trabalhar na lanchonete. No caso das Redes Sociais, um “guru” ou alguém com muitos seguidores, poderia considerar “gentinha” alguém com poucos seguidores ou escassa repercussão aparente.
Quando uma pessoa põe essa rótulo em alguém, ocorrem várias coisas. Uma delas é que ela não está mostrando o seu lado moral (que poderia ser invisível se não estamos perto dessa pessoa ou se o seu comportamento em público não for muito óbvio). Outra, é que ela se comporta do mesmo modo que o rótulo de “gentinha” que colocou no outro, fazendo coisas como por exemplo: ignorar a pessoa, menosprezá-la com mais ou menos sutileza, não levar em consideração o que este alguém lhe poderia dizer ou acrescentar, etc.
Não vou por enquanto entrar nas considerações éticas desse comportamento nem no que ele nos diz a respeito da pessoa que o faz, somente no que se refere às questões práticas, que são várias. A primeira, é que este alguém rotulado de “gentinha” poderia ser mais influente do que o indivíduo do alto cargo imagina. E isso é possível por muitas razões: poderia ser que esse último empregado da cadeia de comando fosse o responsável por cumprir com a estratégia que este “espertinho” se propôs. Se isso acontecesse, garanto que em curto ou longo prazo o “espertinho” teria problemas. Outra possibilidade seria que este alguém, classificado de “gentinha”, na verdade não tivesse uma responsabilidade tão direta mas poderia influenciar a outras pessoas que sim a tivessem e que o levassem em consideração. Se se trata de uma Rede Social, isso ainda é mais significativo, pois atrás de um determinado perfil muitas vezes pode haver muito mais do que somos capazes de ver.
Acho que seria muito naïf pensar que não existem pessoas assim e inclusive que qualquer um, em maior ou menor medida, poderia equivocar-se às vezes com esse comportamento. Mesmo que isso possa nos parecer abominável à primeira vista. O ser humano tem bastante têndencia a comparar-se com os demais e a classificá-los de algum modo. Essa falsa superioridade, desumaniza o outro e isso é algo que as pessoas notam. Diz bem pouco do que o faz e deixa traspassar mais inseguridade e arrogância do que a pessoa pensa. Além disso, esse “desprezo” deixa marcas no desprezado, mais profundas do que poderíamos imaginar.
Ao final, o resultado do problema é que deixar um rasto de pessoas ressentidas por onde você passa é um péssimo investimento de futuro. Como diz um conhecido ditado, do qual não conheço a autoria: Seja bondoso com as pessoas quando subir; as encontrarás a todas quando descer. Porque nunca duvide que em algum momento, por mais que agora esteja por cima, você estará em outra posição. Se você deixar essas marcas pelo caminho, não poderá se queixar da sua falta de sorte, ou lamentar que os demais te maltratam; você terá o que merece.
Será que você às vezes tem essa atitude com os outros? Conhece alguém que sim o faz?









