A comunicação Interna, chave para o sucesso empresarial. 

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Nota do Editor: Hoje na ZyncroBlog compartilhamos com vocês um magnifico artigo de Gorka Zumeta, e lhe agradecemos muito que nos tenha permitido reproduzir na íntegra. Como sabes, na Zyncro trabalhamos cada dia para fornecer ferramentas que facilitem uma comunicação interna que flua muito melhor.

Gorka Zumeta tem licenciatura em Ciência da informática pela Universidade de Navarra, PDD pela IESE Business School, e desenvolveu seu trabalho profissional principalmente na Cadena SER. É especialista em comunicação Corporativa (interna/externa) e serve como professor de comunicação na escola de marketing ESIC e como professor de radio na CES, ambas em Madrid.

Neste post, publicado em seu blog, Gorka nos fala a fundo sobre a importância da comunicação interna como chave para o sucesso empresarial. Agradecemos muito a Gorka que nos tenha permitido reproduzi-lo na integra, logo abaixo.

“A comunicação interna, chave para o sucesso  empresarial”

Comunicación Interna

O titulo já contem em si mesmo uma intenção clara: apostar nesta ferramenta para alcançar conquistas notáveis dos objetivos da companhia. Uma manchete que necessita no começo invariavelmente associada a um outro conceito que os empregadores tem dificuldade  para assimilar: a comunicação em geral, a interna e a externa em particular, nunca podem indentificar-se com “custo”; mas pelo contrario, com “investimento”.

As companhias tem que investir em matéria prima, a tecnologia, o consumo energético sustentável, mas a parte fundamental, para que todos funcionem melhor, é a comunicação interna.Não é só o melhor investimento, sobre tudo é o Primeiro.

Se fala agora, nas teorias modernas, da Comunicação Interna 2.0, baseada em uma grande parte dos instrumentos que o novo meio tecnológico põe a nossa disposição, com um papel especial dos novos canais de comunicação pessoal.

Os responsáveis pela Comunicação interna, assim, se vem e vai marcando a evolução tecnológica que certamente, não para de avançar.

E é certo, não vou afirmar o contrario, que estas ferramentas favorecem a comunicação e, se fizer uso adequado delas, podem alcançar uma maior eficiência neste processo estabelecido entre a companhia e seus trabalhadores.

Objetivos e estratégias da Comunicação Interna

O objetivo principal da Comunicação Interna em qualquer companhia, independentemente de seu tamanho, persegue a criação de uma cultura corporativa, promovendo um orgulho de prioridades da empresa e portanto um maior investimento do trabalhador com os objetivos da companhia. No geral, se trata de motivar os trabalhadores, algo que, incidentalmente, só pode ser de cima para baixo, nunca o inverso.

Para desenvolver estes objetivos, a comunicação interna utiliza diversas estratégias que tendem para o mesmo destino:

  • Fazer mais para conciliar a vida profissional da pessoal
  • Promover a retenção de talentos, estimulando o trabalho em equipe
  • Economia através de uma melhor gestão dos recursos
  • Melhorar a imagem publica da companhia
  • Gerenciar o conhecimento
  • Apoiar a livre circulação de informação sobre o processo da empresa.

A comunicação interna, creio que é de sentido comum, ajuda a reduzir a insegurança e a prevenir os temidos ‘rumores’, um dos principais inimigos de qualquer empresa.

Em todos os manuais sobre ‘Comunicação interna’ se citam como realização conceitos como a ‘missão da companhia’ , ou ‘ a lealdade do empregado‘, identificando este como o ‘ cliente interno’.

Ou seja, segundo esta teoria, a empresa não só quer vender seus produtos ao exterior, mas também vende-los a sua própria equipe.

Logo analisaremos este aspecto tão delicado.

Temos passado por aqui as linhas principais da teoria marcada pela Comunicação Interna. Mas qual é o real meio em que se movem as empresas neste campo hoje em dia?

Lamentavelmente, a crise esta provocando o desaparecimento de milhões de pymes e a reorganização de modelos nas grandes companhias, o que em muitos casos se traduz em ERE’s em massa.

Não se trata  do melhor contexto para pedir motivações, fidelidades, identificações, etc., ao trabalhador com respeito a sua empresa.

Comunicação Interna em crise

As circunstancias que vive o mundo das empresas, imersas em anos de rescisão e crises, obrigam a mudar os parâmetros com que se movem em sua relação com os empregados. Neste contexto é fatal  a ausência de informação.

O silencio não faz mais que alimentar os rumores e com isto se gera medo, a pior sensação que deve ter em uma companhia. Caso tenha medo, instabilidade, incerteza, insegurança é mais que provável que acelere o processo de encerramento.

Portanto, o primeiro objetivo é manter a qualquer custo informações sobre o andamento dos negócios, é o sustento da empresa.

Mas o fato de que flua a informação, não supõe automaticamente que exista uma boa comunicação. Esta inclui outros fatores, mas alem da pura transmissão de dados.

acuerdoA Comunicação Interna 2.0 está comprometido em uma situação de crise. Não é suficiente recorrer a esta nova formula tecnológica para tranquilizar os trabalhadores de uma empresa cuja a sobrevivência esta por um fio. 

Nenhum funcionário vai navegar na internet para lhe dar a má notícia de que o mês que vem irá se juntar as filas dos desempregados. E que mais de um foi relatado para ser demitido por e-mail ( ou por Fax).

Estes casos deveriam ser expostos em praça publica para escárnio de quem os comete e demonstra sua absoluta falta não só de profissionalidade em seu cargo diretor, mas sua mínima condição humana ao tratar seus semelhantes.

O caso Spanair

Em uma recente interrupção de atividades da companhia aérea Spanair, que recebeu ajuda econômica do Ajuntamento de Barcelona e do Governo de Catalunya, se aprecia, desde fora, uma falta absoluta de transparência interna.

A falta de recursos da companhia era vox pópuli, mas nada podia prever um final tão apressado e eminente. Os diretores – com o empresário Ferran Soriano a frente – reconheceram que suspenderam os vôos ‘de segurança’, porque os trabalhadores “estavam nervosos”. Um sintoma determinante da falta de uma politica de Comunicação Interna eficaz.

Como não iriam estar nervosos se o salvador da companhia, Qatar Airways, anunciou finalmente que não entraria como sócio na Spanair!A delicada situação financeira que atravessava a companhia aérea catalana, com dívidas de mais de 300 milhões de euros, sem linhas de credito e com vias publicas ( Governo) esgotados, o havia conduzido a falta de dinheiro para comprar estoques de combustível.

Neste contexto, se fazia impresindivel não só a informação, mas a comunicação fluida entre direção e comitê da empresa.

Talvez a situação da Spanair era já irreversível e não cabia outra saída do que encerrar, mas igualmente é certo que seu principal gestor, Ferrán Soriano, ao que se atribui um saldo inicial de 600.000 euros, reduzido logo para a metade para poder combinar esta responsabilidade com o resto da sua rede de empresas ( ou seja, 300.000 euros por sua dedicação parcial),  observaram o declínio no faturamento da empresa muito antes do dia 28 de janeiro em que decidiu parar de trabalhar.

 

O progresso descendente de entrada e a falta de competitividade da empresa requeriam medidas de  ajuste muito antes, por não falar da falta de controle exercido pelos administradores catalanos sobre a ajuda econômica concedida a Spanair.

A atividade econômica da Spanair se havia deteriorado muito antes de janeiro, é de agosto de 2011, com toda segurança . E inclusive antes. Mas os trabalhadores precisavam de informações fidedignas dos progressos de sua empresa, viviam e trabalhavam na ignorância, fora a evolução da conta de resultados e, portanto, do seu futuro. Como poderiam ter corrigido esse conflito?

Não há regras infalíveis, logo; mas considero que a comunicação interna – inexistente neste caso tão flagrante – era, modestamente, uma de suas chaves de sucesso. Não estava e nem se esperava, e se não estava, era completamente quimérica.

O exemplo dos pequenos

Em ultima estância, a Comunicação Interna é o salva-vida para sobrevivência da empresa.

Sem citar nomes, vou me referir a dois casos que eu conheço diretos das PME que operam em Euskadi, cuja base industrial tornou a crise menos violenta do que no resto do estado.

Em ambos os casos, a Comunicação Interna – e não a comunicação interna 2.0, com todo meu respeito – que sua atividade continue, apesar de ter sido diretamente ameaçada de fechar.

Em um caso eram dez operários mas o gerente e o administrador, irmãos; e em outro quatro trabalhadores e o proprietário, que também trabalhava com eles. Os dois exemplos retirados do setor da maquina-ferramenta, a comunicação entre todos era fluida.

Sem chegar a forjar grandes amizades entre eles, a relação no caso da segunda empresa, o ambiente mais familiar, excedeu em muito a frieza do empregador-trabalhador.

Dada a queda na renda, todos, empresários e trabalhadores se puseram de acordo para reduzir seus salários, de acordo com a conta de resultados. A decisão foi tomada com os valores a frente.

Foi a vontade de continuar por parte de todos e a decisão se tomou de maneira unânime. Em ambos os casos, a decisão foi correta porque em ambos o exemplo da situação, graças ao mercado internacional onde são introduzidos, lhe permitiram recuperar posições.

“Em casa de ferreiro, espeto de pau”

As empresas cujo objetivo corporativo se desenvolve dentro do âmbito da comunicação deveriam, por simples coerência, praticar a comunicação em casa.Confidencial

Mas, longe de cumprir com este desiderato, exercem e alimentam o rumor e a desinformação.

Os ‘Confidenciais’, que preenche a internet com suas noticias – algumas interessadas,outras intoxicadas – cumprem com o papel de intranet em muitas companhias periodisticas. Seus empregados lhe conferem a credibilidade que não são capazes de ganhar seus direitos.

Para piorar a situação, em algumas empresas, a veracidade de algumas destas noticias apontam que suas fontes pertencem ao staff de algumas companhias, pelo o nível de informação que manejam. Me consta que em algumas empresas se busca o topo, ou topos, e em outras já descobriram.

Mover-se nesta estratégia é, sem duvida, o maior erro em que pode incorrer uma companhia. E assim seu objetivo é, precisamente, a comunicação. Muitas vezes, as paginas de jornais dedicado a esta seção ‘Comunicação’, mantém um duplo objetivo: louvar e elogiar as próprias ações e atacar contra o funcionamento da concorrência.

Basta observar, por exemplo, as paginas dedicadas ao El País e El Mundo e vice e versa. O ataque não só prejudica um ao outro, mas, por extensão, ao prestigio e a credibilidade de toda a profissão.

Comunicación

A comunicação Interna, imprescindível em tempos de crise

Uma coisa é a teoria outra é como se aplica na pratica. A politica de gestos, de um e outro, empresários e trabalhadores, implica na aceitação conjunta de um contexto adverso e a resposta unívoco ao desafio.

Um empresário não pode fazer alarde de sua posição econômica, exibição publica na janela, quando a companhia que dirige atravessa uma má situação financeira.

Ao mesmo tempo, não se pode pedir fidelidade quando a empresa decide aplicar um ERE não para garantir sua sobrevivência, senão para manter sua margem de beneficios. De igual forma, os trabalhadores não podem responder com um ataque galopante a intransigência da direção da empresa.

A crise esta obrigando as partes a entender-se. A situação – a sobrevivencia- lhe condena a por-se de acordo. Mas se não há comunicação, se não há informação, o caminho do entendimento se apresenta como caso impossível. É certo que o tamanho da empresa pode condicionar o progresso da política de Comunicação Interna.

Pode resultar, a primeira vista, mais fácil estar de acordo com uns poucos que fazem quando as partes somam a vários centos, ou milhares de trabalhadores. Mas há o conhecimento e o dom de oportunidade para os sócios. As vezes, em seu estagio mais básico, a Comunicação Interna se reduz a falar e a entender. Não lhe damos muitas mais voltas.